Entrevista no Tempomatico.com

Há algum tempo o Fernando e eu demos um entrevista no blog do nosso amigo Marcos Santos, mas não havia postado aqui. Segue na íntegra.

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Pocket Interview – Fernando Almeida & Raphael Cagnotto

January 5, 2011
Raphael Cagnotto & Fernando Almeida


Inicialmente, muito obrigado pela entrevista, vocês poderiam se apresentar?

Rapha
Nós é que agradecemos a oportunidade, Marcos. Meu nome é Raphael Cagnotto e tenho 28 anos. Sou instrutor do Método DeRose há nove anos, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina.
Fui diretor pedagógico da escola onde você estuda, o Método DeRose Vila Mariana, e atualmente dirijo o Método DeRose Cabral em Curitiba.

Fernando
Meu nome é Fernando. Sou publicitário, formado pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul desde 2002, e tenho 30 anos.
Depois de atuar por quatro anos na área de Marketing Corporativo, conheci o Método DeRose e me apaixonei pela proposta do Método.
Como havia possibilidade de dar aula e também a proposta de me tornar sócio de uma escola credenciada ao Método, resolvi deixar minha profissão.
Atuar como Instrutor do Método DeRose, além de ser uma profissão de grande potencial, traz também como proposta a valorização de uma cultura riquíssima e um estilo de vida de extrema qualidade.

Como, e quando, surgiu o gosto pela musica e esse hobby, a discotecagem?

Fernando
Eu sempre gostei de música. Cresci em meio a LP’s e, principalmente, fitas K7. Então, a música sempre fez parte do meu dia a dia.
Colecionei LP’s, K7′s, CD’s e, atualmente, MP3 de várias bandas e vários estilos de música.
Consequentemente, esse gosto me levou a conhecer locais de difusão de música.
A sensação da minha geração foi ter a oportunidade de ir a casas noturnas que difundiram a atual música eletrônica – embora ela já não seja tão atual assim, se pensarmos em décadas, já que existem registros dos anos 60 e 70.
A princípio, a intenção de ir nestes locais era por pura azaração, pois são locais de grande concentração de gente bonita e interessante.
Mas com o tempo, comecei a me ligar mais na arte de muitos DJ’s ao mixarem de diversas formas as batidas que fazem o público ir a um estado de êxtase intenso para dançar.
Fiquei fascinado e também louco para saber como eles faziam isso… E assim me interessei por saber como funcionava esta arte de discotecar.

Rapha
Também sempre gostei de música e, num certo sentido, considero-me bastante eclético.
Quando criança “arranhava” – leia quase literalmente – no contrabaixo e no teclado.
Cheguei a ter uma banda de garagem e gravamos um demo. Mas não foi para frente.
A discotecagem apareceu – quase que como para todos os DJ’s que conheço – através de festas e noitadas muito longas em casas como a falecida Lov.e, onde se ouvia som com muita qualidade, tanto no estilo quando na técnica.
Eu e o Fe trabalhamos juntos na unidade Luís Góis e depois na Vila Mariana. Tornamo-nos amigos mesmo e posso considerá-lo um verdadeiro irmão.

Vocês moram em cidades diferentes, como vocês ensaiam e combinam o que cada um vai fazer? Como é dividir a pick-up?

Rapha
Sobre morar em cidades diferentes e manter o projeto. É complicado. Curitiba não é uma cidade muito distante. Com tráfego aéreo tranquilo levo uns 50 minutos para chegar em São Paulo, no máximo.
Nesses casos aproveitamos para ensaiar, trocar ideias sobre performances nos sets, apresentar músicas novas.
Fora isso, individualmente fazemos nossos sets – você pode ouvir alguns no Vive la Disco – e trocamos críticas e estilos.

Fernando
Quando passamos a trabalhar juntos, como instrutores do Método DeRose, estávamos sempre indo juntos a locais como o antigo Lov.e, D-Edge, Vegas, Glória e A Lôca, entre outros, para curtir a vibração da música eletrônica. A oportunidade de tocar juntos surgiu a partir de um convite já que antes, tocávamos separadamente por brincadeira em festas de amigos.
Em 2008 o Rapha se mudou para Curitiba, e foi bem no momento em que fomos convidados para tocar juntos no DeRose Festival São Paulo, evento promovido especialmente para os alunos das escolas credenciadas ao Método DeRose.
Sendo assim, o mundo virtual passou a ajudar bastante. Estamos sempre conectados via MSN, Skype, dá pra trocar boas ideias estando online.
O Rapha também vem sempre à São Paulo e, volta e meia, eu estou em Curitiba. São nestes períodos que ensaiamos, trocamos ideias, experimentamos novas músicas enfim, estamos juntos para treinar.
Dividir as pick-ups é fantástico, pois um vibra com a mixagem do outro, um complementa o som do outro, um agita o público enquanto o outro está comandando o som e um salva a pele do outro se alguma coisa tende a sair errado. É muito bacana dividir a pick-up com o Rapha.

Vive la Disco

Que tipo de musica vocês tocam, o gosto de vocês é eclético?

Rapha
Para tocar, nosso gosto é eclético dentro de uma temática. Temos influência de DJ’s como Leiloca Pantoja, Marcio Careca, Hero Zero, Maltchique. Acredito que gostamos de tocar o que gostamos de dançar.

Fernando
A base do que tocamos sempre será a música eletrônica e dentro dela, passeamos por algumas vertentes da house music, como o electro-house e o tech-house.
O electro puro também está nos nossos sets e ainda gostamos de tocar sons da disco music, bastante difundida atualmente em vertentes como a neo-disco e italo-disco.
Grandes músicas representantes dos estilos que marcaram as décadas de 80 e 90 – os famosos 80′s e 90′s – também estão no nosso tracklist.
Mas como todos que estão neste universo dizem, DJ mesmo toca qualquer estilo.
E também existem os gostos, entre nós dois, que se diferem.
Enquanto eu gosto muito de brincar com a mixagem da black music, o Rapha curte ao extremo o drum’n’bass.

Como a música se encontra com o trabalho de vocês no Método DeRose?

Fernando
Bom, como instrutores desta cultura, também precisamos ter um refinado conhecimento musical. Afinal, nossa arte de ensinar o Método também é enriquecida com trilhas sonoras.
Sendo assim, para fortalecer os efeitos das técnicas que queremos proporcionar aos alunos durante as práticas, utilizamos a música, o que embala e dá um clima especial para a aula.
Inclusive a própria música eletrônica que tanto gostamos, sempre está presente nas aulas.

Rapha
No Método DeRose valorizamos a arte, a cultura o bom relacionamento. As aulas do Método são verdadeiramente cinematográficas devido à boa escolha das músicas utilizadas – obviamente, nem sempre eletrônicas.
Falando de e-music e baladas dentro da Nossa Cultura, temos a satisfação de poder proporcionar muita alegria e descontração tocando para pessoas jovens, cultas e educadas que não bebem, não fumam e não tomam drogas. E longe de serem festas caretas.
No DeRose Culture em São Paulo, tocamos até a galera cansar de dançar. No Festival, foi até o sol raiar.

O Vencedor. Acho que você vai gostar desse filme.

Ontem assisti ao filme O Vencedor (The Fighter), com excelente atuação de Mark Wahlberg, Christian Bale e Amy Davis.

Particularmente gosto de filmes que retratam a vida de boxeadores. Sendo esse filme o relato das vidas de dois personagens, a carga de mensagens é bem mais forte, principalmente por terem retratado as situações de maneira tão exemplar.

O Vencedor conta a história familiar de Micky Ward e seu irmão Dickie Eklund.

Não é objetivo desse post fazer qualquer spoiler, mas apenas convidar você para assistir com uma análise do comportamento humano bastante interessante.

Para mim o filme fala sobre o poder da egrégora1, no sentido de que se não fazemos escolhas conscientes, deixamos nos levar para, talvez, onde não queiramos ir.  Por mais que o meio social em que vivemos queira que tenhamos sucesso, a falta de gerenciamento sobre nossas opções pode criar frutos diferentes do que imaginamos. Daí a importância da decisão e da escolha feita pelo veículo correto (tema para um próximo post).

A obra também mostra como é importante obter um ponto de vista externo à nossa situação para que consigamos refletir sobre nossa realidade de maneira, digamos, mais panorâmica. Você também vai se lembrar da célebre frase Por trás de todo grande homem há uma grande mulher ao ver algumas cenas.  Aliás, é impressionante como nos filmes sobre boxeadores (do clássico Rocky, um Lutador, passando por A Luta pela Esperança) o papel das mulheres como catalisadoras das grandes realizações é relevante na vida dos protagonistas. Um retrato do que acontece na realidade, claro, para os que têm a mente aberta, sensibilidade mais apurada e o privilégio de ter uma pessoa carinhosa e atenta ao seu lado.

Assista ao filme. Você vai gostar.

 

1 Egrégora provém do grego egrégoroi e designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade. Todos os agrupamentos humanos possuem suas egrégoras características: todas as empresas, clubes, religiões, famílias, partidos, etc. (Texto extraído do livro Tratado de Yôga, do Educador DeRose)

 

Maturidade é…

 

… respeitar e ser tolerante com os valores e pontos de vista do outro, independentemente de concordarmos ou não.

Super-maturidade é ficar feliz pelo outro estar bem consigo e com o grupo através daqueles valores.

 

Concorda?

 

 

Respighi na prática de ásanas.

Vamos a mais uma pérola musical para deixar a prática mais interessante.

Il Pini di Roma

IV. I Pini della Via Appia

Autor: Ottorino Respighi (1879-1936)

No final da aula um aluno comenta: Parece a música do Superman!

Com uma boa indução é como você vai se sentir. Duvido que retorne dos musculares.

Aprecie! Feche os olhos e deixe as emoções fuírem.

Abaixo a versão tocada pela Orquestra Filarmônica de Berlin, sob regência de Von Karajan, em 1984 (Osaka, Japão).

http://video.libero.it/static/swf/eltvplayer.swf?id=d3135e7011fe30eb616b3ffe69e4fd96.flv&ap=0

Caso o link não funcione, ouça a versão tocada pela Orquestra Sinfônica da Rádio  de Stuttgart.

Um poema que faz a diferença.

Esse poema me foi enviado pelo Educador DeRose em 2002. Revirando meus papeis eu o encontrei.

Se

Rudyard Kipling
Tradução de Guilherme de Almeida.

Se és capaz de manter a calma quando
Todo o mundo em redor já perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando
E para esses, no entanto, achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir aos mentirosos,
Ou, sendo odiado, sempre do ódio te esquivares;
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires
De sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores;
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas por que deste a vida estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que  te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida,
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
E dar seja o que for que neles ainda exista,
E a persistir assim quando, exausto, contudo
Resta a vontade em ti, que ainda ordena: Persiste!

Se és capaz de entre a plebe não te corromperes,
Entre reis não perderes a naturalidade
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes;
Se a todos podes ser de alguma utilidade;
E se és capaz de dar segundo por segundo,
Ao minuto fatal, todo o seu valor e brilho,
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
E – o que ainda é muito mais- és um Homem, Meu Filho!

O que estou lendo agora?

Na verdade, terminando a leitura:

O Físico (tradução infeliz para The Physician) – a epopéia de de um médico medieval, de Noah Gordon.

Relata a história de um barbeiro-cirurgião  inglês que enfrenta destemidamente os obstáculos para se tornar médico no Oriente.

O enredo e a narrativa são excelentes.

https://raphaelcagnotto.files.wordpress.com/2011/01/noah_gordon_-_o_fisico.jpg?w=209

Obrigado pelo presente, Jurema!

Cozinha dançante.

Como me pediram a receita, resovi postar novamente. Aproveite!

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Talvez você ainda não saiba que na Unidade Cabral nós temos, todas as sextas-feiras, almoços fantásticos preparados pelo querido instrutor Diego Constante. Já apreciamos uma lasanha de berinjela, um curry de legumes, o kibe assado do Rapha e outras delícias com o sabor inigualável da culinária do Nosso Método.

Mas hoje o Di teve que viajar para um evento de aprimoramento em São Paulo. Ficou em minhas mãos a responsabilidade de pilotar o fogão. Acho que cheguei bem ao destino.

Vamos ao registro do meu momento Julia Child.

Risoto de abacaxi e cenouras glaçadas

Acompanhe-me nas receitas!

O Risoto

Ingredientes

Vou ser bem sincero: não costumo usar medidas na hora do preparo. Não sei se isso vai contra alguma regra áurea da gastronomia, mas, pelo menos até agora, nada explodiu! As quantidades podem variar sem nenhum problema. Recomendo usar intuição.

2 abacaxis

4 cebolas grandes picadas

Azeite extra virgem

1 kg de arroz carnaroli

Ervas de Provence

Sal a gosto

1 litro de caldo de legumes

Manteiga

Segredinho: queijo provolone

Mãos à obra

Corte um dos abacaxis em fatias com um ou dois centímetros de espessura. Reserve-as para usar na montagem do prato. O outro abacaxi você deverá cortar em pequenos pedaços. Não vale a pena usar o talo central.

Refogue a cebola na manteiga. Eu gosto de deixá-las bem douradas. Acrescente o arroz e refogue-o até que os grãos fiquem brilhantes.

Aquele abacaxi picado em pequenos pedaços soltou seu suco na vasilha. Coloque tudo na panela, junto com as ervas e continue mexendo sem parar (se você cansar facilmente é porque precisa praticar mais ásanas, hein?). Se quiser, coloque pimenta.

Aos poucos você deverá inserir o caldo de legumes. Continue mexendo! Não é para descansar. Tome cuidado para evitar que o arroz grude nas laterais e no fundo da panela.

A dica é simples: deixe cozinhando até que a textura fica do seu agrado. Eu gosto al dente.

Se precisar, use sal. Talvez o sabor já esteja agradável e você evite sua utilização, o que é melhor para a saúde.

Coloque mais um pouco de manteiga gelada e mexa até que ela derreta totalmente.

O segredinho: hoje experimentei colocar um pouco de um bom provolone e deu um toque muito especial.

Deixe descasar e sirva após aproximadamente dois minutos.

A montagem

Você se lembra do outro abacaxi? Provavelmente você deu uma beliscada em uma ou outra fatia. Use aquela que sobrou da seguinte maneira:

Aqueça uma frigideira com azeite e frite a fatia. Deixe-a bem dourada. Dará um aspecto muito bonito e ficará muito saboroso.

Coloque a fatia no prato e o risoto sobre ela. Use uma das folhas da coroa da fruta para enfeitar.

As cenouras glaçadas

Ingredientes

Cenouras

Nós moscada

Canela

Manteiga

Sal

Açúcar

Glaçando

Cozinhe as cenouras picadas em cubos (ou rodelas, ou como você desejar) em água salgada fervente. Assim que levantar fervura, diminua o fogo, tampe a panela e cozinhe durante uns quinze minutos (ou até ficar al dente).

Tire toda a água e acrescente a manteiga, o açúcar, a nós moscada e um pouco de sal. Na receita que eu tinha não se utilizava canela, mas eu coloquei e ficou uma delícia. Um sabor meio exótico.

Vá cozinhando, mexendo sempre, até que as cenouras estejam glaçadas, com um aspecto brilhante.

Como assim? Cozinha dançante?

Depois que comecei a praticar o Método DeRose dei um verdadeiro upgrade na minha alimentação. Comecei a comer melhor, de maneira mais limpa, saudável e, claro, muito mais saborosa. Descobri uma infinidade de sabores e aromas.

E acreditem: aprendi a cozinhar. Adoro cozinhar para as pessoas. E gosto de preparar os pratos ouvindo música. Há quem dirija cantarolando. Eu cozinho dançando.

Para finalizar, a trilha sonora do preparo do almoço de hoje!

Chic – Dance, dance, dance

Chic – Dance Dance Dance (Yowsah Yowsah Yowsah) by praisegod

Experimente a receita. Junte os amigos e familiares e divirta-se! Ficarei feliz ao saber como foi o resultado.

Um grande abraço.

Rapha Cagnotto