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Archive for the ‘Música’ Category

Já parou para ouvir uma música hoje?

Se você teve uma infância cultural como a minha, com certeza aproveitou a excelente programação infantojuvenil da TV Cultura.

Lembrei de um episódio da série Mundo da Lua, no qual o avô de Lucas, Orlando Silva (interpretado por Gianfrancesco Guarnieri), aprecia calmamente uma música, sentado em sua confortável poltrona da sala de estar.

Nos dias atuais, cheios de correrias e pressões que parecem não ter fim, acomodar-se em uma poltrona para vivenciar uma boa música parece ter se tornado coisa de “gente velha”. O próprio roteirista da série, Flavio de Souza, estimula esse ponto de vista (é o avô, aposentado, que delicia-se com aquela música de Rafael Hernandez). Esse comportamento ficou no tempo do Onça, talvez na época em que se reunia a família para ouvir as novelas e apresentações ao vivo nas “rádios Tupi” da vida.

Hoje, imagino que para a maioria das pessoas, a música virou um pano de fundo para o dia-a-dia. Ouve-se música no carro, mas a concentração fica dividida entre o cantarolar com batuque no volante, o bate-papo com o carona e a atenção para não engavetar com carro à frente. Entre os acordes que saem do computador e aquele relatório que você tem que analisar, para ontem.

Adoro trabalhar ouvindo músicas, mas nada como poder desfrutar de momentos para realmente apreciá-las, com toda a concentração voltada para aquilo a que me predispus. Com a intensão para entender os mais variados sentimentos que o artista quis expressar em sua obra.

Convido você a reservar alguns minutos do seu tempo para isso. Servirá como exercício de concentração e você perceberá um ótimo estímulo à qualidade de vida.

Faça sua playlist e divirta-se!

Raphael Cagnotto

Entrevista no Tempomatico.com

Há algum tempo o Fernando e eu demos um entrevista no blog do nosso amigo Marcos Santos, mas não havia postado aqui. Segue na íntegra.

Visite: www.tempomatico.com

Pocket Interview – Fernando Almeida & Raphael Cagnotto

January 5, 2011
Raphael Cagnotto & Fernando Almeida


Inicialmente, muito obrigado pela entrevista, vocês poderiam se apresentar?

Rapha
Nós é que agradecemos a oportunidade, Marcos. Meu nome é Raphael Cagnotto e tenho 28 anos. Sou instrutor do Método DeRose há nove anos, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina.
Fui diretor pedagógico da escola onde você estuda, o Método DeRose Vila Mariana, e atualmente dirijo o Método DeRose Cabral em Curitiba.

Fernando
Meu nome é Fernando. Sou publicitário, formado pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul desde 2002, e tenho 30 anos.
Depois de atuar por quatro anos na área de Marketing Corporativo, conheci o Método DeRose e me apaixonei pela proposta do Método.
Como havia possibilidade de dar aula e também a proposta de me tornar sócio de uma escola credenciada ao Método, resolvi deixar minha profissão.
Atuar como Instrutor do Método DeRose, além de ser uma profissão de grande potencial, traz também como proposta a valorização de uma cultura riquíssima e um estilo de vida de extrema qualidade.

Como, e quando, surgiu o gosto pela musica e esse hobby, a discotecagem?

Fernando
Eu sempre gostei de música. Cresci em meio a LP’s e, principalmente, fitas K7. Então, a música sempre fez parte do meu dia a dia.
Colecionei LP’s, K7′s, CD’s e, atualmente, MP3 de várias bandas e vários estilos de música.
Consequentemente, esse gosto me levou a conhecer locais de difusão de música.
A sensação da minha geração foi ter a oportunidade de ir a casas noturnas que difundiram a atual música eletrônica – embora ela já não seja tão atual assim, se pensarmos em décadas, já que existem registros dos anos 60 e 70.
A princípio, a intenção de ir nestes locais era por pura azaração, pois são locais de grande concentração de gente bonita e interessante.
Mas com o tempo, comecei a me ligar mais na arte de muitos DJ’s ao mixarem de diversas formas as batidas que fazem o público ir a um estado de êxtase intenso para dançar.
Fiquei fascinado e também louco para saber como eles faziam isso… E assim me interessei por saber como funcionava esta arte de discotecar.

Rapha
Também sempre gostei de música e, num certo sentido, considero-me bastante eclético.
Quando criança “arranhava” – leia quase literalmente – no contrabaixo e no teclado.
Cheguei a ter uma banda de garagem e gravamos um demo. Mas não foi para frente.
A discotecagem apareceu – quase que como para todos os DJ’s que conheço – através de festas e noitadas muito longas em casas como a falecida Lov.e, onde se ouvia som com muita qualidade, tanto no estilo quando na técnica.
Eu e o Fe trabalhamos juntos na unidade Luís Góis e depois na Vila Mariana. Tornamo-nos amigos mesmo e posso considerá-lo um verdadeiro irmão.

Vocês moram em cidades diferentes, como vocês ensaiam e combinam o que cada um vai fazer? Como é dividir a pick-up?

Rapha
Sobre morar em cidades diferentes e manter o projeto. É complicado. Curitiba não é uma cidade muito distante. Com tráfego aéreo tranquilo levo uns 50 minutos para chegar em São Paulo, no máximo.
Nesses casos aproveitamos para ensaiar, trocar ideias sobre performances nos sets, apresentar músicas novas.
Fora isso, individualmente fazemos nossos sets – você pode ouvir alguns no Vive la Disco – e trocamos críticas e estilos.

Fernando
Quando passamos a trabalhar juntos, como instrutores do Método DeRose, estávamos sempre indo juntos a locais como o antigo Lov.e, D-Edge, Vegas, Glória e A Lôca, entre outros, para curtir a vibração da música eletrônica. A oportunidade de tocar juntos surgiu a partir de um convite já que antes, tocávamos separadamente por brincadeira em festas de amigos.
Em 2008 o Rapha se mudou para Curitiba, e foi bem no momento em que fomos convidados para tocar juntos no DeRose Festival São Paulo, evento promovido especialmente para os alunos das escolas credenciadas ao Método DeRose.
Sendo assim, o mundo virtual passou a ajudar bastante. Estamos sempre conectados via MSN, Skype, dá pra trocar boas ideias estando online.
O Rapha também vem sempre à São Paulo e, volta e meia, eu estou em Curitiba. São nestes períodos que ensaiamos, trocamos ideias, experimentamos novas músicas enfim, estamos juntos para treinar.
Dividir as pick-ups é fantástico, pois um vibra com a mixagem do outro, um complementa o som do outro, um agita o público enquanto o outro está comandando o som e um salva a pele do outro se alguma coisa tende a sair errado. É muito bacana dividir a pick-up com o Rapha.

Vive la Disco

Que tipo de musica vocês tocam, o gosto de vocês é eclético?

Rapha
Para tocar, nosso gosto é eclético dentro de uma temática. Temos influência de DJ’s como Leiloca Pantoja, Marcio Careca, Hero Zero, Maltchique. Acredito que gostamos de tocar o que gostamos de dançar.

Fernando
A base do que tocamos sempre será a música eletrônica e dentro dela, passeamos por algumas vertentes da house music, como o electro-house e o tech-house.
O electro puro também está nos nossos sets e ainda gostamos de tocar sons da disco music, bastante difundida atualmente em vertentes como a neo-disco e italo-disco.
Grandes músicas representantes dos estilos que marcaram as décadas de 80 e 90 – os famosos 80′s e 90′s – também estão no nosso tracklist.
Mas como todos que estão neste universo dizem, DJ mesmo toca qualquer estilo.
E também existem os gostos, entre nós dois, que se diferem.
Enquanto eu gosto muito de brincar com a mixagem da black music, o Rapha curte ao extremo o drum’n’bass.

Como a música se encontra com o trabalho de vocês no Método DeRose?

Fernando
Bom, como instrutores desta cultura, também precisamos ter um refinado conhecimento musical. Afinal, nossa arte de ensinar o Método também é enriquecida com trilhas sonoras.
Sendo assim, para fortalecer os efeitos das técnicas que queremos proporcionar aos alunos durante as práticas, utilizamos a música, o que embala e dá um clima especial para a aula.
Inclusive a própria música eletrônica que tanto gostamos, sempre está presente nas aulas.

Rapha
No Método DeRose valorizamos a arte, a cultura o bom relacionamento. As aulas do Método são verdadeiramente cinematográficas devido à boa escolha das músicas utilizadas – obviamente, nem sempre eletrônicas.
Falando de e-music e baladas dentro da Nossa Cultura, temos a satisfação de poder proporcionar muita alegria e descontração tocando para pessoas jovens, cultas e educadas que não bebem, não fumam e não tomam drogas. E longe de serem festas caretas.
No DeRose Culture em São Paulo, tocamos até a galera cansar de dançar. No Festival, foi até o sol raiar.

Respighi na prática de ásanas.

Vamos a mais uma pérola musical para deixar a prática mais interessante.

Il Pini di Roma

IV. I Pini della Via Appia

Autor: Ottorino Respighi (1879-1936)

No final da aula um aluno comenta: Parece a música do Superman!

Com uma boa indução é como você vai se sentir. Duvido que retorne dos musculares.

Aprecie! Feche os olhos e deixe as emoções fuírem.

Abaixo a versão tocada pela Orquestra Filarmônica de Berlin, sob regência de Von Karajan, em 1984 (Osaka, Japão).

http://video.libero.it/static/swf/eltvplayer.swf?id=d3135e7011fe30eb616b3ffe69e4fd96.flv&ap=0

Caso o link não funcione, ouça a versão tocada pela Orquestra Sinfônica da Rádio  de Stuttgart.